Pesquisas com células-tronco embrionárias começaram no Brasil em agosto de 2005. A utilização de células-tronco de embriões nas pesquisas brasileiras foi permitida com a aprovação da Lei de Biossegurança em março de 2005. O governo também financiará experimentos com células-tronco adultas, derivadas da medula óssea, do cordão umbilical e de outros tecidos.
A descoberta das células-tronco se constituiu numa das maiores conquistas da genética atual, mas também numa das questões mais complexas, e sobre a qual pairam ainda muitas interrogações. Entre as células-tronco, umas são totipotentes, outras pluripotentes e outras uni-potentes, basicamente dependendo das funções que estão destinadas a exercer.
A maneira como as células adultas irão se comportar já é bastante conhecida. Porém, a mesma coisa não pode ser dita sobre o comportamento das células-tronco embrionárias, quando retiradas do seu habitat natural. O comportamento dessas é em grande parte desconhecido, apesar do fato que alguns cientistas em Oxford, Inglaterra, terem afirmado que são mais estáveis do que pensávamos. De qualquer forma, o certo é que o uso de células-tronco embrionárias implica na eliminação do embrião e, por isso mesmo, é moralmente inaceitável.
O debate atual a respeito do uso de embriões humanos para retirar células-tronco pluripotentes, com finalidades terapêuticas, nasce de um grande equívoco que ignora completamente o significado de um embrião e as conseqüências para a criação de uma mentalidade desumana. A Igreja Católica insiste que o embrião não é um grupo de células, mas um indivíduo da espécie humana. Essa afirmação não tem nada a ver com crenças religiosas, é uma verdade que a razão é capaz de reconhecer.
O embrião, apesar de seu pequeno tamanho, contém a informação genética (genoma) que presidirá o seu desenvolvimento desde o nascimento até a idade adulta. É animal com a estrutura genética de um vertebrado, mamífero, humano. Para justificar o uso de células-tronco embrionárias, volta-se sempre ao argumento de que o óvulo fecundado ainda não é vida humana. Várias teorias são apresentadas sobre o momento da humanização. Para alguns isso aconteceria somente no momento da implantação no útero; para outros só na medida em que se configura a base do cérebro e, para outros, ainda em fases posteriores.
Parece-me que o que ocorre após a fecundação são desdobramentos que continuam até a morte. O embrião, obviamente, se encontra numa fase inicial da existência, mas é vital lembrar que a dignidade não se vincula a esta ou àquela fase da vida, é inerente à condição humana. A Igreja Católica, através de documentos como Donum Vitae (1987), da Sagrada Congregação da Doutrina e Fé, e Evangelium Vitae (1995), do papa João Paulo II, manifesta sua satisfação com o avanço das pesquisas científicas, oferecendo possíveis curas para doenças genéticas, degenerativas e neurológicas. Doenças como câncer, diabetes, mal de Alzheimer, de Chagas, esclerose múltipla, doenças auto-imunes, como lupus eritematoso, artrite reumatóide, anemia grave, doença de Parkinson etc. Mas a Igreja Católica insiste que a destruição do embrião humano é um ato altamente antiético e imoral.
Segundo o texto-base da Campanha da Fraternidade de 2008, "o uso das células-tronco adultas, por outro lado, já tem alcançado resultados comprovados de melhora ou cura de doenças em seres humanos... Recentemente foram obtidos resultados que permitiriam que as células-tronco adultas se comportassem como células-tronco embrionárias, ganhando a capacidade da totipotência (reprogramação celular)", (cf. p. 46 do Texto-base).
Porém, há uma grande novidade. Este ano cientistas extraíram células simples da pele humana e conseguiram com elas o efeito das células-tronco embrionárias. Depois, grupos de cientistas, um dos EUA e outro do Japão, conseguiram transformar células da pele humana em células-tronco. A descoberta abre um potencial caminho ilimitado para a substituição de tecidos ou órgãos defeituosos. Segundo a conhecida revista Science, essa descoberta "vai mudar completamente o campo das pesquisas com células-tronco".
Além das restrições éticas contra as células-tronco embrionárias, os órgãos transplantados obtidos a partir de células-tronco embrionárias podem ser rejeitados pelo paciente. Já a nova técnica, uma vez aperfeiçoada, permitirá a criação de células-tronco com o código genético do paciente, eliminando assim os riscos de rejeição. Portanto, segundo Dr. James Thompson, podemos vislumbrar agora um tempo no futuro em que uma simples técnica poderá ser usada para produzir células-tronco que serão capazes de formar qualquer tecido a partir de uma pequena amostra de qualquer um de nós. Embora a nova técnica seja aparentemente, eticamente correta, acredito que ainda é cedo para ver os pesquisadores substituindo as pesquisas com as células-tronco embrionárias atualmente em andamento.
Finalmente, enquanto enfatizo a urgente necessidade de minorar os sofrimentos provenientes de falhas genéticas, de acidentes e de doenças degenerativas, fico preocupado com a exploração emocional oriunda da exposição na mídia de pessoas com estes problemas. A liberação de embriões para obter células-tronco é considerada pela Igreja Católica uma postura enormemente antiética porque sacrifica vidas humanas. Ao mesmo tempo em que as pesquisas com as células-tronco embrionárias humanas vão se defrontando com um mar de dificuldades, as pesquisas com as células adultas vêm progredindo rapidamente.
As células-tronco adultas podem ser conceituadas como células indiferenciadas, existentes nos diversos órgãos, em especial na medula óssea, cordão umbilical, na pele, etc, compondo um sistema regenerativo natural do indivíduo. Espero que as pesquisas dos cientistas extraindo células simples da pele humana e conseguindo com elas o efeito das células-tronco embrionárias venham a prosperar rapidamente, de tal maneira que as células-tronco embrionárias deixem, definitivamente, de ser usadas.
Padre Brendan Coleman Mc Donald é redentorista,assessor da CNBB (Regional Nordeste I) e professor-doutor na UFC.
Fonte; http://www.opovo.com.br/opovo/internacional/760079.html
PERFIL
- Reginaldo Martins
- Fortaleza, Nordeste, Brazil
- Tauaense, cearense, brasileiro, casado, católico, que busca ser um homem melhor a cada dia!
SUA PARTICIPAÇÃO ÉTICA
Agradeço por contribuir para a divulgação da ÉTICA em nosso Brasil. Se cada pessoa agir com etica, em qualquer situação, então teremos um país melhor e mais justo para todos nós. Ser brasileiro é ser ético.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
PORQUE ALGUNS POLITICOS ROUBAM
Assim como eu, você também deve ficar escandalizado com a cara-de-pau de alguns políticos que metem a mão nos cofres públicos como se estivessem sacando dinheiro da própria conta.
Embora as notícias da roubalheira tenham sido mais intensas nos últimos tempos, a verdade é que essa prática não é privilégio dos dias atuais. Desde que o mundo é mundo alguns espertalhões sempre usaram a política para forrar os próprios bolsos.
Vamos tentar entender os motivos que levam alguns políticos a seguir o caminho, ou melhor, os descaminhos, que os colocam à margem da sociedade e em pé de igualdade com os bandidos da pior espécie.
São as condutas éticas que governam as ações sociais. Cada sociedade é organizada a partir de princípios éticos próprios da sua história, da sua cultura e do seu contexto.
Para algumas tribos indígenas, por exemplo, roubar cavalos era uma façanha admirável entre seus guerreiros. Já na Idade Média, em alguns feudos, as moças permaneciam virgens até o casamento. Entretanto, por lei, quem tinha direito à primeira noite não era o noivo, mas sim um nobre, dono das terras.
Visto de fora, longe da realidade desses povos e distante da época em que cultivavam naturalmente esses costumes, pode nos parecer que as condutas eram abomináveis. Assim como, provavelmente, no futuro nossa forma de viver em sociedade hoje poderá parecer estranha e até sem sentido.
Sejam quais forem os princípios éticos, são eles que sustentam a vida em sociedade. Sem esses preceitos, a convivência social seria um caos, pois as pessoas não se respeitariam.
A sociedade contemporânea, salvadas as diferenças pontuais, se submete a princípios éticos bastante semelhantes. Entre as diversas condutas éticas estabelecidas, e que se subordinam também aos mandamentos de Deus, está a orientação de não roubar.
Considerando- se que os políticos também fazem parte desse tecido social, não deveriam roubar. Quando, todavia, esse "representante do povo" surrupia a grana da população, passa por três estágios para chegar à deterioração ética:
• Não sentiu medo - A certeza de que não seria punido foi tão evidente que não teve medo de receber represálias para o seu ato inescrupuloso. Se uma pessoa tiver receio de que será punida, irá refrear seus impulsos e não cometerá o crime. O que anima o ato de delinqüência é o baixo risco de punição.
• Não sentiu vergonha - A frase "ele não tem vergonha na cara" pode ser interpretada como não se sentir menosprezado ou ridicularizado por não ter princípios éticos sociais. A vergonha é um valioso freio para os desvios sociais.
Ao cometer o crime, esse político não sente vergonha de ser ridicularizado ou menosprezado pela sociedade, pois a falta de escrúpulos e de princípios já se instalou de forma tão acentuada no seu caráter que essas circunstâncias não aborrecem seu sono.
Não sentiu culpa. Como diz o psicoterapeuta Flávio Gikovate: culpa é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Quando sentimos na própria pele o mal que fazemos à outra pessoa, estamos experimentando o sentimento da culpa.
Se um político desvia o dinheiro que seria usado para a compra do leite das crianças ou para a aquisição de ambulâncias destinadas aos pobres desprotegidos, a culpa passou longe de suas preocupações.
Um político deve ser admirado e respeitado quando possui princípios éticos tão evidenciados que, se cometesse um deslize, antes de sentir medo de ser punido, sentiria culpa e vergonha pelos seus atos.
Não vamos perder a esperança, pois tem muita gente séria ainda na política. Cabe à sociedade, entretanto, construir sua proteção. Se a educação que alguns políticos receberam não foi suficiente para que sentissem culpa ou vergonha pelos crimes que poderiam cometer, que pelo menos sintam medo de ser punidos se não se comportarem como deveriam.
E, por incrível que pareça, um dos maiores pesadelos do político é perder uma eleição. Que tal começarmos por aí?
(Fonte: UOL-Carreiras)
Embora as notícias da roubalheira tenham sido mais intensas nos últimos tempos, a verdade é que essa prática não é privilégio dos dias atuais. Desde que o mundo é mundo alguns espertalhões sempre usaram a política para forrar os próprios bolsos.
Vamos tentar entender os motivos que levam alguns políticos a seguir o caminho, ou melhor, os descaminhos, que os colocam à margem da sociedade e em pé de igualdade com os bandidos da pior espécie.
São as condutas éticas que governam as ações sociais. Cada sociedade é organizada a partir de princípios éticos próprios da sua história, da sua cultura e do seu contexto.
Para algumas tribos indígenas, por exemplo, roubar cavalos era uma façanha admirável entre seus guerreiros. Já na Idade Média, em alguns feudos, as moças permaneciam virgens até o casamento. Entretanto, por lei, quem tinha direito à primeira noite não era o noivo, mas sim um nobre, dono das terras.
Visto de fora, longe da realidade desses povos e distante da época em que cultivavam naturalmente esses costumes, pode nos parecer que as condutas eram abomináveis. Assim como, provavelmente, no futuro nossa forma de viver em sociedade hoje poderá parecer estranha e até sem sentido.
Sejam quais forem os princípios éticos, são eles que sustentam a vida em sociedade. Sem esses preceitos, a convivência social seria um caos, pois as pessoas não se respeitariam.
A sociedade contemporânea, salvadas as diferenças pontuais, se submete a princípios éticos bastante semelhantes. Entre as diversas condutas éticas estabelecidas, e que se subordinam também aos mandamentos de Deus, está a orientação de não roubar.
Considerando- se que os políticos também fazem parte desse tecido social, não deveriam roubar. Quando, todavia, esse "representante do povo" surrupia a grana da população, passa por três estágios para chegar à deterioração ética:
• Não sentiu medo - A certeza de que não seria punido foi tão evidente que não teve medo de receber represálias para o seu ato inescrupuloso. Se uma pessoa tiver receio de que será punida, irá refrear seus impulsos e não cometerá o crime. O que anima o ato de delinqüência é o baixo risco de punição.
• Não sentiu vergonha - A frase "ele não tem vergonha na cara" pode ser interpretada como não se sentir menosprezado ou ridicularizado por não ter princípios éticos sociais. A vergonha é um valioso freio para os desvios sociais.
Ao cometer o crime, esse político não sente vergonha de ser ridicularizado ou menosprezado pela sociedade, pois a falta de escrúpulos e de princípios já se instalou de forma tão acentuada no seu caráter que essas circunstâncias não aborrecem seu sono.
Não sentiu culpa. Como diz o psicoterapeuta Flávio Gikovate: culpa é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Quando sentimos na própria pele o mal que fazemos à outra pessoa, estamos experimentando o sentimento da culpa.
Se um político desvia o dinheiro que seria usado para a compra do leite das crianças ou para a aquisição de ambulâncias destinadas aos pobres desprotegidos, a culpa passou longe de suas preocupações.
Um político deve ser admirado e respeitado quando possui princípios éticos tão evidenciados que, se cometesse um deslize, antes de sentir medo de ser punido, sentiria culpa e vergonha pelos seus atos.
Não vamos perder a esperança, pois tem muita gente séria ainda na política. Cabe à sociedade, entretanto, construir sua proteção. Se a educação que alguns políticos receberam não foi suficiente para que sentissem culpa ou vergonha pelos crimes que poderiam cometer, que pelo menos sintam medo de ser punidos se não se comportarem como deveriam.
E, por incrível que pareça, um dos maiores pesadelos do político é perder uma eleição. Que tal começarmos por aí?
(Fonte: UOL-Carreiras)
domingo, 29 de julho de 2007
FOME UMA VONTADE POLÍTICA
Fome será resolvida com vontade política e participação popular, diz diretor da FAO
Fortaleza - O diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Jacques Diouf, afirmou hoje (6) que é preciso vontade política e participação popular para resolver o problema da fome no mundo. “A segurança alimentar é um problema a nível ético, político, econômico e social”.
Segundo ele, apesar das 854 milhões de pessoas que passam fome no mundo, existem recursos humanos, financeiros, naturais e tecnológicos para resolver a questão.
"O problema é da falta de acesso dos pobres aos recursos naturais e do uso das variedades mais produtivas. Ou seja, é um problema de acesso a crédito e a mercado”.
Diouf acrescentou que os países precisam reconhecer suas realidades, desafios e problemas para apresentar soluções. E que garantir o acesso à água é uma das maneiras de resolver o problema da segurança alimentar. "Se não tivermos água, é como construir casas sobre areia”.
Ele participou hoje do último dia da Conferência Nacional de Segurança Alimentar, realizada em Fortaleza (CE) desde o dia 3 de julho.
A conferência é resultado de uma discussão que começou em 2006, com a participação de 70 mil representantes de governo e da sociedade civil em conferências municipais e estaduais sobre segurança alimentar.
Esta terceira edição é organizada pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e conta com a participação de cerca de 2 mil pessoas.
Kelly Oliveira*
Enviada especial
* A repórter viajou a convite do Consea
Fortaleza - O diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Jacques Diouf, afirmou hoje (6) que é preciso vontade política e participação popular para resolver o problema da fome no mundo. “A segurança alimentar é um problema a nível ético, político, econômico e social”.
Segundo ele, apesar das 854 milhões de pessoas que passam fome no mundo, existem recursos humanos, financeiros, naturais e tecnológicos para resolver a questão.
"O problema é da falta de acesso dos pobres aos recursos naturais e do uso das variedades mais produtivas. Ou seja, é um problema de acesso a crédito e a mercado”.
Diouf acrescentou que os países precisam reconhecer suas realidades, desafios e problemas para apresentar soluções. E que garantir o acesso à água é uma das maneiras de resolver o problema da segurança alimentar. "Se não tivermos água, é como construir casas sobre areia”.
Ele participou hoje do último dia da Conferência Nacional de Segurança Alimentar, realizada em Fortaleza (CE) desde o dia 3 de julho.
A conferência é resultado de uma discussão que começou em 2006, com a participação de 70 mil representantes de governo e da sociedade civil em conferências municipais e estaduais sobre segurança alimentar.
Esta terceira edição é organizada pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea) e pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e conta com a participação de cerca de 2 mil pessoas.
Kelly Oliveira*
Enviada especial
* A repórter viajou a convite do Consea
sábado, 30 de junho de 2007
Investir na agricultura para garantir a Segurança Alimentar
O MUNDO TODO SAI LUCRANDO
Agricultura pode ter se tornado um ator coadjuvante em muitas economias industrializadas, mas pode atuar como um ator principal no cenário mundial se vamos fechar a cortina sobre a fome.
Ainda no tempo presente continua em declínio a ajuda estrangeira para agricultura e desenvolvimento rural. De um total de mais de bilhões de dólares por ano no início do anos oitenta, caiu para menos de 5 bilhões de dólares no final dos anos noventa. Enquanto isso, uma estimativa de 854 milhões de pessoas em todo o mundo permanece subnutridos.
Somente investindo na agricultura – juntamente com o apoio da educação e saúde – reverteremos essa situação.
A maior parte dos produtores agrícolas do mundo são pequenos produtores. Como um grupo, eles são o maiores investidores na agricultura. Eles próprios também tendem a ter acesso a alimentação precário ou inadequado. Se eles conseguem obter lucro com sua agricultura, eles podem alimentar suas famílias por todo o ano e reinvestir em suas lavouras por meio da aquisição de fertilizantes, sementes de melhor qualidade e equipamento básico.
Pequenos produtores enfrentam muitos obstáculos que estão fora de seu controle: falta de crédito, posse insegura de terra, sistema de transporte fraco, baixos preços e relações de negócios com agronegócio pouco desenvolvidas – sem contar os fatores naturais tais como seca, enchentes, pragas e doenças.
O Agronegócio é um termo guarda-chuva que engloba as companhias locais, nacionais ou internacionais que cuidam ou transformam o produto agrícola em seu percurso pela longa cadeia de abastecimento, até chegar ao consumidor. Esses comerciantes investem tipicamente capital próprio no transporte, processamento, atacado e varejo, vendendo mercadorias tais como arroz e trigo, produtos agrícolas de alto valor tais como vegetais e produtos de seguimento restrito como flores a varejo. Os supermercados estão se tornando os maiores atores na cadeia regional e nacional de abastecimento de alimentos, estabelecendo padrões e até mesmo o funcionamento transfornteiriço de cadeias de abastecimento.
Se a cadeia de abastecimento funciona bem com retorno suficiente sobre o investimento para todos, o primeiro contato – o produtor – ganha dinheiro suficiente para alimentar sua família e reinvestir. A geração de emprego criada pelos muitos comerciantes na cadeia de abastecimento permite que um maior número de pessoas viva decentemente. Há um declínio da Fome e um aumento das qualidade de vida.
No entanto o agronegócio nos países em desenvolvimento enfrenta problemas tais como: falta de boas estradas, ferrovias e infraestrutura de mercado, falta de padrões e classificações, a estrutura legal é fraca para apoiar os contratos, e dificuldade prática no desenvolvimento de arranjos comerciais com um grande número de produtores de pequena escala.
Um novo modelo de cooperação entre os setores publico e privado está surgindo no desenvolvimento rural. O modelo inclui novas formas de (1) colocar junto produtores e agronegócio, (2) estabelecer e executar padrões e classificações, (3) melhorar clima do investimento em prol da agricultura, e (4) prover bens públicos essenciais tais como infraestrutura rural.
Um dos maiores problemas dos processadores e comerciantes é conseguir produtos agrícolas com qualidade suficiente em primeiro lugar. Nisso, o setor público pode ajudar promovendo cooperativas e esquemas associativos para facilitar contratos de escala. As cooperativas já possuem um importante papel na agricultura. O setor publico pode apoiá-las com proteção e garantia legal, treinamento em gestão e serviços, e incentivando o setor privado a dar assistência as cooperativas nas áreas de informação de mercado e tecnologia de produção. Esquemas associativos – arranjos de sub contratação no agronegócio – estão numa fase de renascimento. As companhias freqüentemente prestam assistência técnica, material e/ou financiamento a produtores locais para ajudá-los a desenvolver um produto em particular que a companhia combina de comprar numa data futura. Esquemas associativos para agricultura por contrato podem criar emprego local e melhorar a receita dos produtores.
Os Governos precisam desempenhar e executar regras e regulamentos que criem um ambiente seguro e previsível para os investidores particulares. Fazer padronização e seleção por exemplo. Compradores e consumidores de produtos – tanto em países desenvolvidos como os em desenvolvimento – estão cada vez mais exigindo alimentos produzidos com alta qualidade a rigorosos padrões de tamanho, cor e forma. Quanto mais detalhado e amplamente conhecidos os padrões, é mais fácil para todos os atores do setor a adaptação.
Qualquer pessoa ou negociante com dinheiro para investir, incluindo pequenos investidores, deve decidir aonde investir seu dinheiro. Se o retorno sobre o investimento é melhor em outro setor – com por exemplo especulação de terras – ou um pequeno negócio na cidade– então o investidor irá logicamente aplicar seu dinheiro nisso.
Políticas e investimentos públicos podem criar um clima atrativo para tornar a agricultura um bom investimento com uma administração pública bem governada e transparente, e uma disciplina macroeconômica estável, e uma estabilidade política e econômica. Por outro lado, sistemas complicados de impostos, somados a administração ineficiente e corrupta estão entre os maiores obstáculos para o investimento e o empreendedorismo. A falta de apoio para o financiamento rural, capital de risco e microfinanciamento esgota o agronegócio do fomento necessário para seu florescimento.
Mercados de trabalho, posse segura de terra, e segurança alimentar são de responsabilidade do governo e são áreas críticas examinadas por possíveis investidores, tanto local quanto internacional. Se elas são fracas, ou não são claras e justas, os investidores irão para outro lugar ou irão investir em setores que eles julguem menos arriscado do que a agricultura.
O investimento na infraestrutura em zonas rurais, especialmente água , estradas, energia e comunicações, tem um papel crucial no arranque do crescimento agrícola.
Se os países entenderem essas condições diretamente, grandes benefícios podem ser esperados para a agricultura e para os habitantes pobres de zona rural.
O setor público, em muitas partes do mundo em desenvolvimento tem sido lento ao responder as mudanças que a globalização tem trazido aos mercados. Investimento na construção de capacidades dos governos a apoiarem seus pequenos produtores e incentivar os investidores privados é dinheiro bem empregado.
https://www.fao.org.br/dma.asp
Agricultura pode ter se tornado um ator coadjuvante em muitas economias industrializadas, mas pode atuar como um ator principal no cenário mundial se vamos fechar a cortina sobre a fome.
Ainda no tempo presente continua em declínio a ajuda estrangeira para agricultura e desenvolvimento rural. De um total de mais de bilhões de dólares por ano no início do anos oitenta, caiu para menos de 5 bilhões de dólares no final dos anos noventa. Enquanto isso, uma estimativa de 854 milhões de pessoas em todo o mundo permanece subnutridos.
Somente investindo na agricultura – juntamente com o apoio da educação e saúde – reverteremos essa situação.
A maior parte dos produtores agrícolas do mundo são pequenos produtores. Como um grupo, eles são o maiores investidores na agricultura. Eles próprios também tendem a ter acesso a alimentação precário ou inadequado. Se eles conseguem obter lucro com sua agricultura, eles podem alimentar suas famílias por todo o ano e reinvestir em suas lavouras por meio da aquisição de fertilizantes, sementes de melhor qualidade e equipamento básico.
Pequenos produtores enfrentam muitos obstáculos que estão fora de seu controle: falta de crédito, posse insegura de terra, sistema de transporte fraco, baixos preços e relações de negócios com agronegócio pouco desenvolvidas – sem contar os fatores naturais tais como seca, enchentes, pragas e doenças.
O Agronegócio é um termo guarda-chuva que engloba as companhias locais, nacionais ou internacionais que cuidam ou transformam o produto agrícola em seu percurso pela longa cadeia de abastecimento, até chegar ao consumidor. Esses comerciantes investem tipicamente capital próprio no transporte, processamento, atacado e varejo, vendendo mercadorias tais como arroz e trigo, produtos agrícolas de alto valor tais como vegetais e produtos de seguimento restrito como flores a varejo. Os supermercados estão se tornando os maiores atores na cadeia regional e nacional de abastecimento de alimentos, estabelecendo padrões e até mesmo o funcionamento transfornteiriço de cadeias de abastecimento.
Se a cadeia de abastecimento funciona bem com retorno suficiente sobre o investimento para todos, o primeiro contato – o produtor – ganha dinheiro suficiente para alimentar sua família e reinvestir. A geração de emprego criada pelos muitos comerciantes na cadeia de abastecimento permite que um maior número de pessoas viva decentemente. Há um declínio da Fome e um aumento das qualidade de vida.
No entanto o agronegócio nos países em desenvolvimento enfrenta problemas tais como: falta de boas estradas, ferrovias e infraestrutura de mercado, falta de padrões e classificações, a estrutura legal é fraca para apoiar os contratos, e dificuldade prática no desenvolvimento de arranjos comerciais com um grande número de produtores de pequena escala.
Um novo modelo de cooperação entre os setores publico e privado está surgindo no desenvolvimento rural. O modelo inclui novas formas de (1) colocar junto produtores e agronegócio, (2) estabelecer e executar padrões e classificações, (3) melhorar clima do investimento em prol da agricultura, e (4) prover bens públicos essenciais tais como infraestrutura rural.
Um dos maiores problemas dos processadores e comerciantes é conseguir produtos agrícolas com qualidade suficiente em primeiro lugar. Nisso, o setor público pode ajudar promovendo cooperativas e esquemas associativos para facilitar contratos de escala. As cooperativas já possuem um importante papel na agricultura. O setor publico pode apoiá-las com proteção e garantia legal, treinamento em gestão e serviços, e incentivando o setor privado a dar assistência as cooperativas nas áreas de informação de mercado e tecnologia de produção. Esquemas associativos – arranjos de sub contratação no agronegócio – estão numa fase de renascimento. As companhias freqüentemente prestam assistência técnica, material e/ou financiamento a produtores locais para ajudá-los a desenvolver um produto em particular que a companhia combina de comprar numa data futura. Esquemas associativos para agricultura por contrato podem criar emprego local e melhorar a receita dos produtores.
Os Governos precisam desempenhar e executar regras e regulamentos que criem um ambiente seguro e previsível para os investidores particulares. Fazer padronização e seleção por exemplo. Compradores e consumidores de produtos – tanto em países desenvolvidos como os em desenvolvimento – estão cada vez mais exigindo alimentos produzidos com alta qualidade a rigorosos padrões de tamanho, cor e forma. Quanto mais detalhado e amplamente conhecidos os padrões, é mais fácil para todos os atores do setor a adaptação.
Qualquer pessoa ou negociante com dinheiro para investir, incluindo pequenos investidores, deve decidir aonde investir seu dinheiro. Se o retorno sobre o investimento é melhor em outro setor – com por exemplo especulação de terras – ou um pequeno negócio na cidade– então o investidor irá logicamente aplicar seu dinheiro nisso.
Políticas e investimentos públicos podem criar um clima atrativo para tornar a agricultura um bom investimento com uma administração pública bem governada e transparente, e uma disciplina macroeconômica estável, e uma estabilidade política e econômica. Por outro lado, sistemas complicados de impostos, somados a administração ineficiente e corrupta estão entre os maiores obstáculos para o investimento e o empreendedorismo. A falta de apoio para o financiamento rural, capital de risco e microfinanciamento esgota o agronegócio do fomento necessário para seu florescimento.
Mercados de trabalho, posse segura de terra, e segurança alimentar são de responsabilidade do governo e são áreas críticas examinadas por possíveis investidores, tanto local quanto internacional. Se elas são fracas, ou não são claras e justas, os investidores irão para outro lugar ou irão investir em setores que eles julguem menos arriscado do que a agricultura.
O investimento na infraestrutura em zonas rurais, especialmente água , estradas, energia e comunicações, tem um papel crucial no arranque do crescimento agrícola.
Se os países entenderem essas condições diretamente, grandes benefícios podem ser esperados para a agricultura e para os habitantes pobres de zona rural.
O setor público, em muitas partes do mundo em desenvolvimento tem sido lento ao responder as mudanças que a globalização tem trazido aos mercados. Investimento na construção de capacidades dos governos a apoiarem seus pequenos produtores e incentivar os investidores privados é dinheiro bem empregado.
https://www.fao.org.br/dma.asp
DEMOCRACIA E ÉTICA
DEMOCRACIA E ÉTICA
Nota da CNBB sobre o momento político nacional
Nós, Bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acompanhamos, perplexos, com todo o povo brasileiro, o momento político atual. São freqüentes as denúncias de corrupção em várias instâncias dos Três Poderes. Cresce a indignação ética diante da violação de valores fundamentais para a sociedade. A ambição desmedida de riqueza e de poder leva à corrupção. A denúncia do profeta Isaías vale também hoje: "eles gostam de subornos, correm atrás de presentes; não fazem justiça ao órfão e a causa da viúva nem chega até eles" (Is 1,23). Por isso, as palavras do apóstolo Paulo são apropriadas para este momento: "Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem" (Rm 12,21).
A corrupção e a impunidade estão levando o povo ao descrédito na ação política e nas instituições, enfraquecendo a democracia. A crise, decorrente da falta de consciência moral, é estimulada pela ganância e marcada pelos corporativismos históricos, que utilizam as estruturas de poder para benefício próprio e de grupos.
Os empobrecidos são os mais prejudicados com o desvio das verbas públicas. Os poderes constituídos precisam assumir sua responsabilidade diante da corrupção e da impunidade. Urge também uma profunda reforma do atual sistema político, não limitada à revisão do sistema eleitoral. É necessário aprimorar os mecanismos da democracia representativa e favorecer a democracia participativa; a regulamentação do Art. 14 da Constituição Federal oferece esta possibilidade de participação por meio de referendos, plebiscitos e conselhos. A experiência de participação popular na política é uma conquista e um patrimônio precioso da sociedade.
O povo brasileiro precisa recuperar a esperança. A credibilidade e a legitimidade de nossas instituições serão asseguradas pela apuração da verdade dos fatos, pela restituição dos bens públicos apropriados ilicitamente e pela punição dos delituosos.
Queremos estimular os cristãos que, em nome da sua fé, se engajam no mundo da política, dizendo-lhes que vale a pena dedicar-se à nobre causa do bem comum. O exercício responsável da cidadania é um imperativo ético para todos.
Conclamamos as pessoas de boa vontade e as organizações da sociedade a se posicionarem com coragem, repudiando os desmandos e a impunidade, construindo uma convivência social sadia e velando pelo exercício do poder com honestidade.
Esta crise política poderá se tornar uma ocasião de amadurecimento das instituições democráticas do País, se levar a um comprometimento maior com a verdade que nos liberta e com a luta por um Brasil justo, solidário e livre, onde "justiça e paz se abraçarão" (Sl 85,11).
Brasília, 21 de junho de 2007.
Dom Geraldo Lyrio Rocha Arcebispo de Mariana - Presidente da CNBB Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo de Manaus - Vice-Presidente da CNBB Dom Dimas Lara Barbosa Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro - secretário-Geral da CNBB
Nota da CNBB sobre o momento político nacional
Nós, Bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), acompanhamos, perplexos, com todo o povo brasileiro, o momento político atual. São freqüentes as denúncias de corrupção em várias instâncias dos Três Poderes. Cresce a indignação ética diante da violação de valores fundamentais para a sociedade. A ambição desmedida de riqueza e de poder leva à corrupção. A denúncia do profeta Isaías vale também hoje: "eles gostam de subornos, correm atrás de presentes; não fazem justiça ao órfão e a causa da viúva nem chega até eles" (Is 1,23). Por isso, as palavras do apóstolo Paulo são apropriadas para este momento: "Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem" (Rm 12,21).
A corrupção e a impunidade estão levando o povo ao descrédito na ação política e nas instituições, enfraquecendo a democracia. A crise, decorrente da falta de consciência moral, é estimulada pela ganância e marcada pelos corporativismos históricos, que utilizam as estruturas de poder para benefício próprio e de grupos.
Os empobrecidos são os mais prejudicados com o desvio das verbas públicas. Os poderes constituídos precisam assumir sua responsabilidade diante da corrupção e da impunidade. Urge também uma profunda reforma do atual sistema político, não limitada à revisão do sistema eleitoral. É necessário aprimorar os mecanismos da democracia representativa e favorecer a democracia participativa; a regulamentação do Art. 14 da Constituição Federal oferece esta possibilidade de participação por meio de referendos, plebiscitos e conselhos. A experiência de participação popular na política é uma conquista e um patrimônio precioso da sociedade.
O povo brasileiro precisa recuperar a esperança. A credibilidade e a legitimidade de nossas instituições serão asseguradas pela apuração da verdade dos fatos, pela restituição dos bens públicos apropriados ilicitamente e pela punição dos delituosos.
Queremos estimular os cristãos que, em nome da sua fé, se engajam no mundo da política, dizendo-lhes que vale a pena dedicar-se à nobre causa do bem comum. O exercício responsável da cidadania é um imperativo ético para todos.
Conclamamos as pessoas de boa vontade e as organizações da sociedade a se posicionarem com coragem, repudiando os desmandos e a impunidade, construindo uma convivência social sadia e velando pelo exercício do poder com honestidade.
Esta crise política poderá se tornar uma ocasião de amadurecimento das instituições democráticas do País, se levar a um comprometimento maior com a verdade que nos liberta e com a luta por um Brasil justo, solidário e livre, onde "justiça e paz se abraçarão" (Sl 85,11).
Brasília, 21 de junho de 2007.
Dom Geraldo Lyrio Rocha Arcebispo de Mariana - Presidente da CNBB Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo de Manaus - Vice-Presidente da CNBB Dom Dimas Lara Barbosa Bispo Auxiliar de São Sebastião do Rio de Janeiro - secretário-Geral da CNBB
Ética e Parlamentarismo
Ética e Parlamentarismo
25 de Junho de 2007
Por Marisa Serrano (*)
Corrupção é um tema universal. Em todo mundo há histórias remotas e atuais das relações entre o público e o privado que mostram a dimensão das dificuldades quando se procura compreender esse fenômeno.
No Brasil, infelizmente, o tema corrupção está sempre na moda e a imprensa tem tratado do assunto à exaustão. No Brasil há muitas leis tecnicamente bem feitas para punir corrupto e corruptores. Há a Lei da Improbidade Administrativa, de 1992.
Há a lei do Colarinho Branco, que combate os crimes financeiros. Como o sistema Judiciário é complexo e os ritos processuais são morosos, o fosso aberto que separa a legislação e as instituições termina gerando impunidade. Só para se ter uma idéia dessa realidade, nos últimos 15 anos, das autoridades processadas por corrupção, apenas 7% foram condenadas. Ou seja: de 14 mil ações que tramitaram pelo judiciário, somente 1035 chegaram à fase de condenação.
O Brasil tem fama de estar entre os 10 países mais corruptos do mundo. Essa informação, divulgada pela ONG Transparência Internacional, deve ser correta, pois basta olharmos para as principais manchetes dos últimos tempos para se ter uma idéia clara desse processo. Para piorar o quadro, somos um dos três primeiros no ranking da impunidade. Ou seja, entre a corrupção e a impunidade cria-se uma espécie de ácido corrosivo que leva à perda permanente dos padrões éticos.
O exemplo vem de cima, costuma se dizer. Se o cidadão todos os dias assiste as autoridades e chefias das mais diversas escalas de poder praticando atos lesivos ao patrimônio público ( sem que lhes aconteça nada), o erro moral torna-se norma aceita.
Virou chavão dizer que cidadão está anestesiado, sem disposição para mudar essa realidade. Essa é uma triste verdade. Realmente, o volume de denúncias tem se intensificado, envolvendo membros do atual governo – os mesmos que durante mais de 20 anos gritaram e esbravejaram contra a mesma corrupção que hoje praticam com desenvoltura – levando as camadas mais esclarecidas da sociedade a perderem pouco a pouco a capacidade de se indignar.
É inegável que há um conjunto de fatores psico-sociais influindo nesse amortecimento. Primeiro, é preciso considerar que o Governo criou uma rede de proteção social para as camadas mais pobres que, atrelada ao populismo e às ações estrepitosas da propaganda oficial, estimula as pessoas a se tornarem menos críticas
Além disso, a economia mundial vai bem e isso leva a um estado de espírito positivo. Diante disso, a classe média conforma-se em aceitar o status quo, mesmo sentindo os odores advindos dos escândalos, com Vavás, companheiros e compadres fazendo estripulias.
A indignação, diante disso, termina dando lugar à indiferença. Assim, num ambiente econômico de dólar barato e crédito fácil (apesar de caro), que facilita importações de produtos de consumo e viagens ao exterior, estabelece-se um clima artificial de euforia, que provoca ao mesmo tempo letargia e indiferença no tocante às práticas da criminalidade oficial.
O mais grave, porém, é que o quadro político fica indefinido. Mesmo aqueles que estão percebendo que os ingredientes da crise podem levar o País para o pior dos mundos estão tendo dificuldades para encontrar o tom certo para alertar a sociedade.
O grande perigo da crise ética brasileira pode ser vislumbrada desde já nos indicadores do chamado “esgarçamento do tecido social”. Os padrões morais estão sendo solapados. O Governo Lula estimula a desmoralização da meritocracia e dos valores republicanos.
O excesso de corrupção (e impunidade) provoca um sentimento de descrença na democracia. A pergunta é inevitável: Como será que esse caldo de cultura está influenciando a cabeça de milhões de jovens em fase de formação? Diante desse cenário, tornou-se comum falar em “falta de perspectiva”, “ausência de pertencimento”, “perda de esperança” etc., dando vazão a uma espécie de “vale-tudo”. Todos pensam que se dar bem na vida prescinde de valores morais.
O brasileiro está deixando de acreditar nas soluções políticas, principalmente quando lastreadas na liberdade de ação e de opinião, na obediência às leis e no ordenamento institucional. Vivemos um tempo perigoso, embora não percebamos claramente os riscos. Temo que quando isso acontecer, seja tarde demais.
Diante disso, as lideranças políticas responsáveis devem voltar a conclamar em seus pronunciamentos, nas entrevistas à imprensa, nos artigos que publica, a necessidade de retomar os valores morais como pressupostos essenciais da democracia. Devemos criar um grande movimento cívico envolvendo as famílias, as mulheres, os jovens, reivindicando postura ética dos dirigentes e autoridades de todas as esferas de poder.
Moral e ética são categorias apreendidas. É um processo que se internaliza na escola e na vida O que atualmente está acontecendo é que o conhecimento, o esforço, a aprendizagem, o respeito pelos outros, os sentimentos comunitários, o esclarecimento científico, a “boa educação”, a respeitabilidade pela coesão do núcleo familiar, enfim, todos os aspectos saudáveis que representam as chamadas virtudes democráticas, estão sendo sistematicamente desqualificados.
Nesse aspecto, é que acredito que a reforma política pode ser o começo de uma solução. Não se trata de cortina de fumaça, como dizem alguns. Trata-se de um imperativo para garantir a consolidação da democracia e do desenvolvimento do País. Está mais do que claro que a origem de grande parte da corrupção e corrosão dos valores que ocorre no Brasil reside no atual modelo eleitoral, fulcro da representação cidadã, esteio do Estado Democrático de Direito.
É no bojo desse sistema que tem crescido as relações viciadas entre o público e privado. Nesse aspecto, voltar a discutir a implantação do parlamentarismo no País é uma atitude responsável de quem pensa no destino de milhares de jovens, mulheres e cidadãos experientes que desejam viver num ambiente que ofereça mais igualdade de oportunidades.
Não há como transformar verdadeiramente o Brasil com o atual sistema de representação de poder. Com o presidencialismo atual (que, a bem da verdade, é um “parlamentarismo manco”), chegará o momento em que os brasileiros ficarão sem alternativa. Só restarão dois caminhos: ou aceita-se o caos ou uma ditadura populista (nos moldes caricaturais do Chavismo). Chegou a hora de reagir. A mobilização da sociedade contra a corrupção não pode mais esperar. Vamos colocar o parlamentarismo em debate, já!
(*) Marisa Serrano é membro do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado.
25 de Junho de 2007
Por Marisa Serrano (*)
Corrupção é um tema universal. Em todo mundo há histórias remotas e atuais das relações entre o público e o privado que mostram a dimensão das dificuldades quando se procura compreender esse fenômeno.
No Brasil, infelizmente, o tema corrupção está sempre na moda e a imprensa tem tratado do assunto à exaustão. No Brasil há muitas leis tecnicamente bem feitas para punir corrupto e corruptores. Há a Lei da Improbidade Administrativa, de 1992.
Há a lei do Colarinho Branco, que combate os crimes financeiros. Como o sistema Judiciário é complexo e os ritos processuais são morosos, o fosso aberto que separa a legislação e as instituições termina gerando impunidade. Só para se ter uma idéia dessa realidade, nos últimos 15 anos, das autoridades processadas por corrupção, apenas 7% foram condenadas. Ou seja: de 14 mil ações que tramitaram pelo judiciário, somente 1035 chegaram à fase de condenação.
O Brasil tem fama de estar entre os 10 países mais corruptos do mundo. Essa informação, divulgada pela ONG Transparência Internacional, deve ser correta, pois basta olharmos para as principais manchetes dos últimos tempos para se ter uma idéia clara desse processo. Para piorar o quadro, somos um dos três primeiros no ranking da impunidade. Ou seja, entre a corrupção e a impunidade cria-se uma espécie de ácido corrosivo que leva à perda permanente dos padrões éticos.
O exemplo vem de cima, costuma se dizer. Se o cidadão todos os dias assiste as autoridades e chefias das mais diversas escalas de poder praticando atos lesivos ao patrimônio público ( sem que lhes aconteça nada), o erro moral torna-se norma aceita.
Virou chavão dizer que cidadão está anestesiado, sem disposição para mudar essa realidade. Essa é uma triste verdade. Realmente, o volume de denúncias tem se intensificado, envolvendo membros do atual governo – os mesmos que durante mais de 20 anos gritaram e esbravejaram contra a mesma corrupção que hoje praticam com desenvoltura – levando as camadas mais esclarecidas da sociedade a perderem pouco a pouco a capacidade de se indignar.
É inegável que há um conjunto de fatores psico-sociais influindo nesse amortecimento. Primeiro, é preciso considerar que o Governo criou uma rede de proteção social para as camadas mais pobres que, atrelada ao populismo e às ações estrepitosas da propaganda oficial, estimula as pessoas a se tornarem menos críticas
Além disso, a economia mundial vai bem e isso leva a um estado de espírito positivo. Diante disso, a classe média conforma-se em aceitar o status quo, mesmo sentindo os odores advindos dos escândalos, com Vavás, companheiros e compadres fazendo estripulias.
A indignação, diante disso, termina dando lugar à indiferença. Assim, num ambiente econômico de dólar barato e crédito fácil (apesar de caro), que facilita importações de produtos de consumo e viagens ao exterior, estabelece-se um clima artificial de euforia, que provoca ao mesmo tempo letargia e indiferença no tocante às práticas da criminalidade oficial.
O mais grave, porém, é que o quadro político fica indefinido. Mesmo aqueles que estão percebendo que os ingredientes da crise podem levar o País para o pior dos mundos estão tendo dificuldades para encontrar o tom certo para alertar a sociedade.
O grande perigo da crise ética brasileira pode ser vislumbrada desde já nos indicadores do chamado “esgarçamento do tecido social”. Os padrões morais estão sendo solapados. O Governo Lula estimula a desmoralização da meritocracia e dos valores republicanos.
O excesso de corrupção (e impunidade) provoca um sentimento de descrença na democracia. A pergunta é inevitável: Como será que esse caldo de cultura está influenciando a cabeça de milhões de jovens em fase de formação? Diante desse cenário, tornou-se comum falar em “falta de perspectiva”, “ausência de pertencimento”, “perda de esperança” etc., dando vazão a uma espécie de “vale-tudo”. Todos pensam que se dar bem na vida prescinde de valores morais.
O brasileiro está deixando de acreditar nas soluções políticas, principalmente quando lastreadas na liberdade de ação e de opinião, na obediência às leis e no ordenamento institucional. Vivemos um tempo perigoso, embora não percebamos claramente os riscos. Temo que quando isso acontecer, seja tarde demais.
Diante disso, as lideranças políticas responsáveis devem voltar a conclamar em seus pronunciamentos, nas entrevistas à imprensa, nos artigos que publica, a necessidade de retomar os valores morais como pressupostos essenciais da democracia. Devemos criar um grande movimento cívico envolvendo as famílias, as mulheres, os jovens, reivindicando postura ética dos dirigentes e autoridades de todas as esferas de poder.
Moral e ética são categorias apreendidas. É um processo que se internaliza na escola e na vida O que atualmente está acontecendo é que o conhecimento, o esforço, a aprendizagem, o respeito pelos outros, os sentimentos comunitários, o esclarecimento científico, a “boa educação”, a respeitabilidade pela coesão do núcleo familiar, enfim, todos os aspectos saudáveis que representam as chamadas virtudes democráticas, estão sendo sistematicamente desqualificados.
Nesse aspecto, é que acredito que a reforma política pode ser o começo de uma solução. Não se trata de cortina de fumaça, como dizem alguns. Trata-se de um imperativo para garantir a consolidação da democracia e do desenvolvimento do País. Está mais do que claro que a origem de grande parte da corrupção e corrosão dos valores que ocorre no Brasil reside no atual modelo eleitoral, fulcro da representação cidadã, esteio do Estado Democrático de Direito.
É no bojo desse sistema que tem crescido as relações viciadas entre o público e privado. Nesse aspecto, voltar a discutir a implantação do parlamentarismo no País é uma atitude responsável de quem pensa no destino de milhares de jovens, mulheres e cidadãos experientes que desejam viver num ambiente que ofereça mais igualdade de oportunidades.
Não há como transformar verdadeiramente o Brasil com o atual sistema de representação de poder. Com o presidencialismo atual (que, a bem da verdade, é um “parlamentarismo manco”), chegará o momento em que os brasileiros ficarão sem alternativa. Só restarão dois caminhos: ou aceita-se o caos ou uma ditadura populista (nos moldes caricaturais do Chavismo). Chegou a hora de reagir. A mobilização da sociedade contra a corrupção não pode mais esperar. Vamos colocar o parlamentarismo em debate, já!
(*) Marisa Serrano é membro do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado.
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